Os homens são de Marte… e, aparentemente, lá se paga mais que em Vênus.

15 Jan 2018 Autor: Juliana Bortoletto • Categoria: Prepare-se


Há algumas semanas ficamos sabendo que a Islândia é o primeiro país do mundo a tornar a desigualdade salarial proibida por lei.

Ao escrever essa matéria e, especificamente, esse primeiro parágrafo, fiquei com uma sensação de confusão, já que é uma coisa que DEVERIA ser óbvia, mas ela realmente não é, e estamos muito longe disso, não só nós brasileiros, mas o mundo em geral.

A igualdade salarial não envolve apenas mulheres, mas toda uma noção de sociedade mais justa e benefícios para todos e é por isso que esse tema precisa ser explorado

Nada melhor do que números, dados e algumas outras coisinhas relacionadas a isso, pra gente levar um #PRESTATENÇÃO e colocar cada vez mais os holofotes em cima disso e tentar mudar as coisas de uma vez por todas.

 

Mulheres ganham menos do que os homens em todos os cargos

FONTE: Pesquisa Catho 2017.

 

Números falam por si, então vamos ver as disparidades em porcentagem de acordo com os cargos?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em relação a renda a fita é a mesma:

Enquanto eles ganham, em média, R$ 2.251, elas recebem R$ 1.762 

A estatística mais bizarra e absurda que eu encontrei foi essa aqui:

A mulher ainda perde espaço porque algumas empresas acreditam que ela terá menos disponibilidade para o trabalho por causa da família e da casa.

Além do pano de fundo machista por traz dessa estatística, como se SÓ A MULHER CUIDA DA CASA E DOS FILHOS, AFINAL O PAPEL É ÚNICO E EXCLUSIVAMENTE DELA, a taxa é incrivelmente alta!! (Aquela frase linda que as mulheres ouvem em algumas entrevistas de emprego: “Mas e aí, você pensa em ter filhos? Em quanto tempo mais ou menos?”)

Em relação a contratação…

 

Como se não bastasse, vamos a mais uma estatística chocante:

A estimativa é de que essa situação mude só para daqui a 170 anos. Ou seja, pra gente não tem solução, pras nossas filhas também não terá e pras filhas das nossas filhas ainda não teremos alcançado a igualdade.

Acho que foi suficiente né? Mas a questão aqui não é fazer um cabo de guerra para ver quem é que ganha. A questão da igualdade vai além do sexismo, se trata APENAS em pagar um profissional pelo que ele merece, de acordo com o seu desempenho e qualidade de entrega.

Que coisa né?!

 

Mas por que (Ó MEU DEUS) é tão difícil acabar com essa desvantagem?

Os homens acabam saindo na frente pelo que chamamos de elasticidade das faixas por cargo e remunerações variáveis, ou seja, dentro da faixa salarial é possível que o mesmo cargo tenha salários diferentes por estar dentro dessa faixa. Por exemplo, um analista ganha entre 1000 e 3000 reais: a mulher geralmente começa pelo piso mais baixo e o homem pelo mais alto.

Uma pesquisa feita pelo grupo Mulheres do Brasil divulgou algumas possíveis causas para mostrar porque e como esse disparate acontece.

 

  1. Mulheres não negociam tanto quanto os homens: Falando do seu próprio salário, as mulheres não se sentem tão confortáveis em negociar o valor e pedir mais do mesmo jeito que os homens fazem. Elas aceitam mais e seguindo o famoso ditado, quem tem boca vai a Roma, eles acabam conseguindo mais por pedirem mais. Na hora de pedir um aumento, eles só pedem. Elas, avaliam se fizeram por merecer o suficiente para estarem suplicando por uns trocados a mais no fim do mês.

 

  1. Fidelidade ao empregador: Na hora de sair do trampo, por saber que ganha menos do que deveria, a mulher prefere ficar por conta da sua fidelidade ao empregador e isso acaba saindo caro demais pra elas.

 

  1. Abraçar oportunidades: Culturalmente o homem é mais estimulado do que as mulheres em relação a sua vida profissional e por isso as mulheres tendem a recusar desafios porque “não estão prontas”. Homens se sentem sempre “prontos”.

 

Vamos voltar para a Islândia, as medidas que deverão ser tomadas no País a partir de agora não passam de uma matemática básica: para o mesmo cargo o salário deverá ser igualado ao que ganha mais, ou seja, se três pessoas do mesmo cargo ganham salários diferentes, o salário de todo mundo deverá ser o mesmo daquele cara que ganha mais entre os 3. Loco né! Mas não é apenas o justo?

São essas medidas equipararias que devem ser adotadas pelas empresas para motivar essa mudança. A gente não consegue mudar o mundo do dia pra noite, mas alguma solução nós temos em nossas mãos. Mulheres, percam o medo de pedirem pelo que vocês merecem, seja um aumento, uma promoção ou ir em busca de algo que corresponda à suas expectativas. Homens, apoiem esse movimento, porque isso não é uma causa de gênero, é uma causa trabalhista. Peça uma avaliação do seu desempenho, cobre pelo que você merece também. E Empresas olhem para seus funcionários de forma justa e quem sabe a gente não acelere um pouco essa estatística de 179 anos…

 

Juliana Bortoletto

Equipe Matchbox